Elizete Maria dos Anjos recebe homenagem no Dia Internacional da Mulher

Ano após ano, em cada novo março, somos alcançados pelos relatos de que, em 1857, em um 8 de março, o proprietário de uma fábrica de produtos têxteis, cansado das greves em seu estabelecimento industrial, trancou mais de cem mulheres, em um de seus galpões, e ateou fogo, de forma criminosa e terrorista.

Sim, na transição do século XIX para o século XX, e não só nos Estados Unidos, trabalhadores se mobilizavam para reivindicar melhores condições de trabalho. E, entre as pautas de protesto, estavam a redução da jornada que, até então, era de 14 horas diárias; além de melhores condições no ambiente de trabalho (espaços geralmente mais que insalubres) e salários mais dignos (pois os mesmos eram aviltantes). E também é fato que, à época, proprietários de fábricas usavam como forma de contenção de motins e greves o artifício de trancar os funcionários na hora do expediente.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908, nos Estados Unidos. Um ato que reuniu cerca de 1500 mulheres que aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, em um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em meio à fatos e folclores, sobre a data, sabe-se, com precisão documental, que houve, sim, um incêndio em uma fábrica de tecidos em Nova York, em março. Mas no dia 25 de março de 1911, às 17h da tarde, na Triangle Shirtwaist Company. Tragédia que vitimou 146 pessoas, sendo 125 mulheres e 21 homens. As causas deste incêndio foram as péssimas instalações elétricas da fábrica, associadas à composição do solo e das repartições da fábrica. E, é claro, também por conta da grande quantidade de tecidos presente no recinto, o que serviu de combustível para o fogo e catalisador do incêndio. E, como era prática, da época, no momento em que a Triangle pegou fogo, as portas estavam trancadas.

Um ano antes dessa tragédia, em 1910, na cidade de Copenhague, ocorreu o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Evento apoiado pela Internacional Comunista. Na ocasião, a então membro do Partido Comunista Alemão, Clara Zetkin, propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, porém, se que fosse determinada uma data específica. A proposta refletia, por um lado, a ascensão do movimento feminista, que desde aquela época trilhava a luta pela igualdade de direitos e obrigações entre os gêneros, bem como, contemplavam as correntes revolucionárias da Esquerda, que buscavam criar e ampliar os direitos das trabalhadoras e trabalhadores, movimento no qual a anarquista lituana Emma Goldman é um dos nomes mais importantes da época.

Após a Segunda Guerra Mundial, o dia 08 de março (em virtude da greve das mulheres russas) começou a tornar-se aos poucos o símbolo principal de homenagens às mulheres. Ao mês de março também foi, a partir de então, associado o evento do incêndio em Nova York, ocorrido no dia 25. A partir dos anos 1960, a data já estava praticamente consolidada, como apontou Eva Blay: Na década de 60, o 8 de Março foi sendo constantemente escolhido como o dia comemorativo da mulher e se consagrou nas décadas seguintes. Certamente esta escolha não ocorreu em consequência do incêndio na Triangle, embora este fato tenha se somado à sucessão de enormes problemas das trabalhadoras em seus locais de trabalho, na vida sindical e nas perseguições decorrentes de justas reivindicações.” BLAY, Eva Alterman. 8 de março: conquistas e controvérsias. Rev. Estud. Fem., Florianópolis , v. 9, n. 2, 2001. p. 605.

Assim, a resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. O objetivo era honrar as lutas femininas e, também, obter suporte para instituir o sufrágio universal, ou seja, o direito ao voto, em diversas nações. Mas somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com a instalação da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

Por esses motivos, março é o mês de luta e de celebração da mulher, no Brasil e no mundo. Por esse motivo, e mesmo que a pauta seja tocada durante o ano todo, mas com ênfase no mês de março, nós relembramos as lutas já travadas e comemoramos, sim, as conquistas e os avanços que as mulheres vêm consolidando em nossa sociedade. E, por razões óbvias, aproveitamos para refletir sobre as adversidades que ainda persistem. Sim, reconhecemos que ainda é urgente e extremamente necessário caminhar, muito, para vivermos, enfim, em plena igualdade de condições.

Diante disso, neste mês, nosso mandato homenageia esse exemplo de fibra que é a Elizete Maria dos Anjos, que participa da educação de gerações e gerações de cidadãos de Uberlândia, há mais de 40 anos. Elizete, em abril de 2007, também esteve no Reino Unido e, em seguida, atuou em Uganda, onde desenvolveu importantes trabalhos sociais, como alfabetização de crianças. Atualmente, continua dedicando sua vida à comunidade sendo voluntária na ONG Pontes de Amor.

Parabéns, Elizete! Nossa sociedade ganha muito com o seu trabalho. E, como acreditamos, apenas quem tem coragem, como você, pode realmente mudar o mundo ao nosso redor e atuar, diariamente, para fazer a diferença na vida das pessoas.

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