#1 Dia – No final de 2013 fiquei com meu carro parado na oficina. E, na ocasião, aproveitei a oportunidade para conferir, em campo, qual é a situação do transporte público de Uberlândia.

Então, em dezembro de 2013, durante os dez dias de sessão na Câmara dos vereadores, decidi cumprir os compromissos da agenda do gabinete utilizando o transporte coletivo de Uberlândia. No vídeo ao lado vocês poderão conferir como foi esse primeiro dia.

#10diasDEonibus.

#2 Dia – Dando sequência ao compromisso de fazer toda a agenda do mandato utilizando o transporte público, neste segundo dia, sai de casa às 7h, com destino a Câmara Municipal. Tomei o ônibus da linha A115. Um trajeto rápido, tendo em vista que moro no Saraiva, próximo à Câmara.

Durante a tarde compareci a uma solenidade no CAMARU, onde foi realizada a entrega de viaturas da Polícia Militar para patrulhamento na Zona Rural. Durante o trajeto constatei uma situação que precisa ser revista, com urgência, afinal, a linha E111 estava sem cobrador e o motorista deu-me o troco da passagem com o ônibus em movimento. Nessa situação, ao fazer uma curva, por pouco não subiu no canteiro da avenida.

Na sequência, já no Corredor da João Náves, próximo à UAI da Pampulha, tomamos o “lotado” T131 com destino ao Terminal Central, para dali tomarmos novamente o A115 de volta ao Bairro Saraiva. Constatei que de fato a linha T131 necessita de, no mínimo, mais veículos, pois tinha “gente saindo pela janela”, e isso porque nem era o famoso “horário de pico”.

Por outro lado, e ao andar em linhas como a A115, na volta pra casa, pude perceber que com o devido planejamento o transporte público pode atender à população com celeridade e conforto. #10diasDEonibus.

#3 Dia – Desde o início desses 10 dias de ônibus fui convocado pela população a conhecer uma série de linhas que, a princípio, não estariam na escala de nossas viagens, por não serem as usuais para o cumprimento dos compromissos do mandato. Mas, mesmo assim, e diante da referida convocação, começamos a estudar formas para cumprir a agenda e para conhecer as realidades sugeridas pelos usuários, que nos convocavam para essa fiscalização.

No terceiro dia aprofundei nossa busca por uma visão mais apurada da realidade do transporte público. E segui com o ônibus da linha A115, porém, não naquele “trajeto rápido”, direto para a Câmara, pois, dessa vez optei por pegá-lo sentido Terminal Central, fazendo todo o percurso Saraiva-Centro-Câmara Municipal.

E, conforme fui advertido no dia anterior, pude notar que o próprio A115 também tem as suas horas de “lotação”, e, como ressaltado por vários passageiros, tal situação ocorre não somente nos “horários de picos”. E, dessa vez, alguns usuários também ressaltaram que os problemas da “insegurança pública” têm as suas conexões com os problemas do transporte público, uma vez que “a espera pelos ônibus” transforma os cidadãos em vítimas em potencial de crimes contra o patrimônio, tal como os assaltos.

Confira o vídeo deste 3 dia. #10diasDEonibus

#4 Dia – No quarto dia de nossa ação, e atendendo a várias sugestões, por volta das 6h saímos do bairro Saraiva a fim de conhecer a realidade dos moradores dos bairros Jardim Canaã, Bela Vista, Jardim Vica, Santo Antônio, Jardim Holanda e demais localidades da região oeste de Uberlândia. Região que, em sua maior parte, é atendida tão somente pelas linhas T102 e E102.

Peguei o E102, no Jardim Canaã, já lotado às 6h45h. E antes mesmo de chegarmos ao bairro Jardim Holanda não havia condições de mais ninguém entrar no coletivo. No trajeto fomos informados pelos moradores que “a volta para casa”, em torno das 18h, apresenta situação ainda pior.

Vi de perto que a condição em que os moradores daquela região seguem para o centro da cidade (frequentemente para pegarem um segundo ônibus), em direção aos seus locais de trabalho, é algo que, por várias razões, prejudica tanto as suas vidas quanto suas atividades econômicas; das mais variadas formas. Uma vez que, não raramente, eles precisam sair de casa muito mais cedo para tentar pegar “a primeira volta dos ônibus”, em busca de evitar que os mesmos passem lotados e que eles fiquem, por vezes, esperando dois, três ou mesmo quatro ônibus até aparecer um em que, mesmo muito lotado, ainda dê para subir, rumo ao Terminal Central. #10diasDEonibus.

#5 Dia – Novamente atendendo à sugestões feitas por usuários do transporte público, nesse quinto dia, fomos conhecer, ao menos em partes, a realidade dos moradores do bairro Luizote de Freitas (e região). Inicialmente iriamos percorrer o trajeto da linha T120/T121, porém, ficamos sabendo de uma nova linha, “semi-expressa”, que havia sido implementada para a referida região. E, então, preferimos verificar, ao percorrer o trajeto da linha E120, qual seria o impacto de tal medida para o fluxo de passageiros do Luizote/Mansour, rumo ao centro da cidade, bem como, com tal incursão, nos propomos a ajudar na divulgação de tal medida tomada pela SETRAN visando a melhoria dos serviços prestados.

Enfim, não é demais lembrar que, de fato, ao invés de em um quarteirão com trinta (ou cinquenta) carros, nos quais estão dentro, quando muito, duas pessoas (mas, em média, somente uma pessoa) se nós tivéssemos um único ônibus levando as mesmas cinquenta pessoas (com conforto e qualidade), obviamente, poderíamos usufruir de um trânsito muito mais ágil, ambientalmente eficiente e, obviamente, muito menos estressante. Cenário que, sabidamente, é vetor de atrasos e de contratempos. Em suma, com isso (e muito mais), viveríamos em outra realidade, com impactos não somente na questão da “mobilidade urbana”. #10diasDEonibus.

#6 Dia – Atendendo às sugestões feitas buscamos vivenciar as realidades dos moradores do bairro Morumbi (e do alto da região Leste, por exemplo, dos bairros Alvorada, Dom Almir, Joana Darc, etc.), bem como aproveitamos para verificar as condições em que os alunos das universidades situadas na zona sul vão para os seus respectivos campi.

Contudo, neste dia, me chamou a atenção o relato de profissionais do transporte coletivo, sobretudo de motoristas e cobradores, que disseram, por exemplo, que são “obrigados” a levar o próprio troco para dar aos passageiros. Além de relatarem as cobranças recebidas em casos de assaltos, assim como as dificuldades de derminados trajetos nos quais para cumprirem o horário não fazem o tempo de descanso no ponto final, sendo obrigados a percorrer mais de 7 horas sem parar. Absurdos que devem ser investigados e combatidos.

Assista o vídeo do 6 dia. #10diasDEonibus.

#7 Dia – Ao longo dos últimos dias nos foi sugerido conhecer as linhas que atendem o bairro Planalto, sobretudo as linhas T140 e T141. Assim, neste sétimo dia peguei o T140 no Terminal Central, rumo ao Terminal Planalto. E, na volta, por conta de uma reunião, embarquei no T142 (que já estava de saída), porém, pude notar que o mesmo tanto segue mais vazio, quanto dá uma volta maior, por passar pelo Martins. Então, para quem tem “um pouco mais de tempo” vale a pena pegar essa alternativa para se ter “um pouco mais de espaço” (ou menos sufoco). Algo que deve também ser pensado nas demais linhas, afinal, com um planejamento mais eficiente (tanto por parte dos gestores, quanto por parte dos próprios usuários) será possível conciliar os carros e os horários que melhor atendam as demandas dos cidadãos na maioria dos bairros de nossa cidade.

#8 Dia – Nesse dia fomos conhecer as linhas que cobrem a região do Tubalina, do Cidade Jardim e do Nova Uberlândia. Por ocasião pude perceber que todos esses bairros são atendidos tão somente pela linha A170. E, para piorar um tanto mais este quadro, ainda nos foi relatado que os carros são pequenos, além de serem disponibilizados em números insuficientes (o que acarreta uma superlotação constante). E, além do mais, por qualquer razão ou imprevisto, os carros da linha A170 passam com atrasos que, não raramente, chegam a perto de “uma hora”.

#9 Dia – No penúltimo dia desta ação fomos conhecer algumas linhas do Terminal Umuarama, conforme sugestões feitas nas redes sociais. De saída, tomamos um ônibus na Estação da UFU, rumo ao Terminal Central, e de lá fomos para o Terminal Umuarama no ônibus T121. Vale destacar que, por pouco, não embarcamos em um ônibus da linha T120 que já estava lotado, porém, antes deste carro sair, chegou um T121 que seguiu para o Umuarama com poucas pessoas em pé, ou seja, quase vazio.

Notamos que tais fatos ocorrem com muita frequência, ou seja, um ônibus seguido do outro, de tal modo que um vai superlotado e o outro bem mais vazio. Já na volta para a Câmara, como de costume, tomamos o T131. E, dessa vez, viajamos na porta de entrada, desde o Terminal Central até a Estação 5 – Prefeitura. Por ocasião pudemos visualizar a placa indicativa de lotação, que apontava para 40 pessoas em pé.

Realmente, ao longo desses dias, ficamos com a clara impressão de que vários carros, de várias linhas, trafegam com superlotação, digo, carregando muitos passageiros além do que é permitido (e recomendado). Obviamente, cobraremos esclarecimentos e fiscalizaremos, com máxima atenção, a referida situação.

#10 Dia – No encerramento dessa ação fiz uma rota especial. Peguei o ônibus que sai do Distrito de Cruzeiro dos Peixotos para conhecer a realidade da linha D280 que tem sua primeira viagem às 5:45h. Nesse dia (que se iniciou as 4:30h da madrugada), ao atendermos a uma solicitação do presidente da Associação dos Moradores do Distrito de Cruzeiro dos Peixotos, Durval Saturnino Cardoso de Paula, fomos conhecer a realidade de linha D280 que serve tanto ao referido distrito quanto ao distrito de Martinésia.

E, por ocasião, ouvimos dos moradores reclamações comuns: sobre a escassez de horários e de carros para que as suas demandas (profissionais e pessoais) sejam atendidas com a mínima eficiência. Seja por conta da recorrente superlotação dos horários de pico (uma vez que os passageiros que vem sentados são aqueles que têm a sorte de terem o ônibus, primeiro, em seu ponto, ou seja, quando o carro passa em Martinésia primeiro são os moradores de Cruzeiro dos Peixotos vem – 45 minutos – em pé; e vice-versa), seja por conta dos horários praticados nos finais de semana e feriados, ou mesmo após as 19hs, tendo em vista a ausência de “corridas” (durante a noite), ou dos horários completamente inadequados (nos finais de semana), assim sendo, é como se Cruzeiro dos Peixotos e Martinésia desaparecessem do mapa.

E, assim, com esses dez dias de peregrinação no transporte público encerramos nossa ação. Porém, destacando que, no caso, se encerraram os tais “10 dias” (ininterruptos) em que, inicialmente, usaríamos os coletivos de nossa cidade para cumprirmos com nossa agenda de gabinete; mas que, por meio de sugestões e de denúncias publicadas nas redes sociais, enfim, percebemos a oportunidade de verificar as reais condições de tal serviço que, por tudo, também é considerado como essencial, e que, formalmente, tem sido reconhecido (e passará a ser protegido) como um direito social.

Então, quer seja em relação aos apontamentos realizados pelos moradores dos distritos, retratados no último episódio, quer seja por todas as demais reclamações que nos foram apresentadas, ao longo desses dez dias, com toda a urgência, apresentamos, junto às secretarias e agentes políticos responsáveis, os diagnósticos que levantamos. Relatório devidamente acompanhado de propostas a serem implementadas no curto, médio e no longo prazo.

E, com esse desfecho, segui com a sensação que é um misto de dever cumprido, acrescido do senso reforçado da urgência de fiscalizar e de cobrar as devidas melhorias de tais cenários. Sigo acompanhando, de perto e de modo continuado, as condições em que são prestados esses serviços nos transportes coletivos de nosso município.

Continue colaborando, de todos os modos, com essas nossas missões de luta e de defesa dos direitos sociais. Conheça, na íntegra, o nosso relatório final:

Relatorio_10 dias de onibus